sábado, 21 de maio de 2011

Rio Surf Pro

Rio Surf Pro 2011Pelo segundo ano consecutivo, um brasileiro ganha a etapa do World Tour em águas nacionais. Mineirinho, com esta vitória, torna-se, em 25 anos de história, o primeiro brasileiro a liderar o ranking do circuito. Esta foi, até agora, a etapa com a maior premiação já realizada, num total de US$500.000.

O evento foi um sucesso de público, o que parece ser a tendência da ASP: "voltar para o conceito criado nos anos 80 de enfiar a surfistada num beach break qualquer com boa fama", como disse o Júlio Adler no site da Hardcore. As ondas não estiveram grande coisa, de fato. Pode acontecer em qualquer lugar do mundo, mesmo os melhores (vide Teahupoo/2010, Pipeline/2008, Mundaka/2008, Bells/2003, etc.), mas é muito mais comum em lugares como o Rio. Sobre isso, Slater comentou que "talvez para os fãs seja bom, mas para os surfistas é um pouco frustrante, porque fica mais tático, as notas caem muito, você não pode ter uma performance tão boa. É difícil." A etapa de Nova Iorque deve sofrer a mesma crítica, mas oferecerá US$1 milhão em premiação, desbancando a do Rio no aspecto financeiro. Sobre ela Slater disse que "vai estar flat, vai ser horrível"...

Outro ponto muito discutido foi o critério de julgamento. Em todas as publicações online a que tive acesso, este é o tema principal, e, para minha surpresa, de modo geral, a discussão tem sido educada, não se encontrando muitos "suck" e "fuck" dirigidos aos brasileiros - não se pode dizer o mesmo em relação aos juízes e à ASP, tanto que esta última publicou uma matéria depois de ter visto um número imenso de questionamentos pipocarem na grande rede.

Com isso tudo, a etapa não foi um sucesso de crítica, ou melhor, foi um sucesso no número de críticas recebidas. Mas não tirou o brilho de diversos momentos, como as visitas que vários tops fizeram ao Favela Surf Clube, à Rocinha, e outros mais, devidamente documentados pelos meios de comunicação virtual. Ano que vem deve ficar melhor e, se Iemanjá quiser, com ondas mais apropriadas a um evento deste porte.

Outros detalhes:
- O Vasco mandou fazer uma camisa pro Slater, mas o Flamengo se antecipou e entregou-lhe uma antes.
- A Billabong mandou bem ao colocar entre os gringos um comentarista que viveu alguns anos no Brasil: Gary Linden, famoso shaper e C.E.O. do Big Wave World Tour.
- O canal Sportv comprou os direitos de transmissão, mas não transmitiu a final; em vez disso, colocou uma reprise de algum jogo insosso por aí.
- Entre a última semi-final e a final, rolou uma bateria com alguns 'dinossauros' do surf nacional: Otávio Pacheco, Ricardo Bocão, Daniel Friedman e Rico de Souza. Clássico dos clássicos.